Quando eu era pequeno, com seis ou sete anos de idade, peguei caxumba bem na época do Natal. Filho caçula, família católica, mãe viúva com a criança ardendo em febre. A família passava por dificuldades. Qual de nós nunca assistiu a um filme da TV com esse enredo inicial? E, mesmo sabendo qual o final do filme, não ficou até o fim para assistir? Pois é. Com meus seis ou sete anos eu acreditava que “Papai Noel” existia, pois “ele” me deixou um “presente”, apesar da minha família estar em GRANDES DIFICULDADES FINANCEIRAS. O filme foi modelado pelo quadro ou o filme (mundo) modelou esse quadro? E eu continuei a acreditar em Papai Noel (Cadê Jesus?).
Mas eu cresci e quando tinha doze anos me apresentaram o Espiritismo… E com ele, a “Caridade”, o “Amor ao Próximo” e que o “Papai Noel” representava o “Espírito Natalino”. E ele se transformou num “espírito de Luz”, São Nicolau, que “inspirava a caridade” nas pessoas. Papai Noel morreu, mas seu Espírito ficou para sempre: O Espírito de Natal (E Jesus?).
No espiritismo aprendi que Jesus é o nosso modelo maior, o grau de evolução máximo onde podemos chegar neste mundo (?), mas que Jesus é criatura e não o próprio Deus. E o que era pra ser a comemoração do nascimento do Filho de Deus passou a ser o símbolo da meta que podemos atingir, com esforço e dedicação (e sem a Graça de Deus). E eu deixei de acreditar em “Papai Noel” para acreditar em “Espírito de Natal”.
E deixei-me envolver por uma “promessa” doce de recompensa por tudo aquilo que eu fizesse de bem para as outras pessoas. Era bom ser chamado de “caridoso”, “atencioso”, “prestativo” e outros tantos adjetivos que sustentavam uma maneira de ser e de viver que realmente agradava a todo *MUNDO*. E era algo mágico, inebriante… minha *alma* sentia-se tão satisfeita em ajudar as pessoas (e receber a *gratidão* das mesmas) que me sentia até mais perto de Jesus Cristo (embora na prática, para os espíritas, Jesus seja inacessível).
E junto com as “promessas” de caridade, vinham amalgamadas “sugestões sutis” de enfeites e decorações…. Uma bela árvore enfeitada com uma estrela na ponta, simbolizando a estrela que guiou os Reis Magos (?) ao local de nascimento de Jesus Cristo. Ah, mas os espíritas comemoram o Natal? Sim, pelo menos na minha família sempre comemoraram, regados a muita cerveja, vinho, carnes e outros excessos que eles mesmos condenam. Sim, eu também, por muito anos participei de todas essas comemorações, acreditando ingenuamente que se tratava de uma verdadeira confraternização, onde se reuniam os espíritas, católicos, ateus e outras tantas seitas e religiões (Engraçado, nunca percebi a presença de crentes, embora soubesse que ali se encontravam… talvez seja porque eles não bebiam conosco…).
Quanto tempo vivi assim, não saberia dizer… mas sei que em um dado momento aquilo já não me satisfazia mais… Os natais iam e vinham… cada vez mais tristes e vazios… e passei a perceber que esse vazio não poderia ser preenchido, nem pela “caridade”, nem pelo “Espírito de Natal”… Pois acabavam-se as festas e junto com elas a “caridade”, “fraternidade” e “espírito de união”. E outros trezentos e sessenta e quatro dias de vazio…
Seria essa a mensagem que Jesus Cristo queria me passar? Que apesar dEle ter vindo para nos Salvar, estaríamos irremediavelmente relegados ao “deserto interior”?
Talvez nesse exato momento “Papai Noel” e o “Espírito de Natal”, morreram dentro de mim. Percebi que “Papai Noel”, e o “Espírito de Natal”, e as árvores, e as guirlandas, e as bolas enfeitadas, e as comemoração e “bebemorações” não vinham para festejar a vinda do Salvador, mas sim para tomar o Seu Lugar. Acreditando que um “menino pobre” nasceu e não o Redentor da Humanidade, seria muito mais simples perpetuar uma mentira que já existe há tanto tempo….
Quem não está com Deus, está contra Deus. É bíblico.
Se algo vem para tomar o lugar do Salvador, é porque é contra o Salvador.
Comemorações. A Bíblia está repleta delas. Mas o que elas carregam… o que elas representam?
São essas comemorações, que representam um refinamento dos prazeres mundanos em detrimento do verdadeiro senhorio de Jesus Cristo, que me coloco contra.
Para o verdadeiro Adorador de Deus, todo dia é dia de comemorar o nascimento de Cristo!